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Receita Federal e Policia Federal deflagram a Operação Platinum

A Receita Federal participa nesta quarta-feira (08/04/2026) da Operação Platinum

Alvo é organização envolvida com descaminho de eletrônicos e venda em marketplaces na internet

A Receita Federal participa nesta quarta-feira (08/04/2026) da Operação Platinum. A ação, realizada em conjunto com a Polícia Federal existe com o objetivo de desarticular uma organização criminosa altamente estruturada, voltada à prática dos crimes de contrabando, descaminho e lavagem de capitais. O foco da operação recai especialmente sobre o robusto aparato logístico e financeiro utilizado pelo grupo para dar suporte às atividades ilícitas.

Contexto

A organização criminosa investigada possui atuação interestadual e transnacional e conta com uma forte estrutura operacional para dar suporte à prática delituosa. O grupo utiliza empresas de fachada e interpostas pessoas (“laranjas”), além de adotar uma rígida divisão de tarefas, que vai desde a cotação de preços no exterior até a venda dos produtos de origem ilícita em plataformas digitais como Mercado Livre e Shopee.

Início das investigações

As apurações tiveram início em agosto de 2022, a partir de uma apreensão de mercadorias descaminhadas transportadas por três veículos de passeio em comboio. No curso da investigação, constatou-se que os produtos trazidos irregularmente do Paraguai eram comercializados pelos próprios integrantes da organização por meio de plataformas de vendas on-line, assim como, Mercado Livre, Shopee e Magazine Luiza.

Posteriormente, somente no período entre 2020 e 2024, a organização criminosa movimentou mais de 300 milhões de reais em vendas, apenas na plataforma Mercado Livre.

Em síntese, estima-se que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 1 bilhão, ao longo do período investigado, entre vendas das mercadorias ilícitas e operações de lavagem de capitais, demonstrando a elevada capacidade operacional e, sobretudo, o expressivo impacto econômico das atividades criminosas.

As mercadorias objeto de descaminho eram predominantemente produtos eletrônicos. Por exemplo: aparelhos celulares das marcas XIAOMI, APPLE e SAMSUNG, discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos Starlink, aparelhos de ar-condicionado portáteis, além de perfumes e tintas para impressoras.

Modus operandi

A organização criminosa contava com uma estrutura interestadual e transnacional, formada por várias empresas. Com aproximadamente 300 pessoas jurídicas, a maioria de fachada, e mais de 40 pessoas físicas. A mesma divididia os integrantes em grupos de acordo com as funções desempenhadas no esquema delituoso: O “grupo de trabalho”, composto por motoristas, batedores e olheiros; o “grupo de compras” era responsável por pedidos, cotações e pagamentos no Paraguai e o “grupo de vendas” cuidava do controle das vendas, realizadas principalmente em plataformas de marketplace, além da apuração e distribuição de lucros entre os integrantes.

A investigação também identificou as empresas responsáveis por atuar como “noteiras”, empresas criadas exclusivamente para gerar e comercializar notas fiscais frias, destinadas a dar aparência de legalidade à venda de produtos contrabandeados e descaminhados.

Além disso, foram identificadas mais de 10 interpostas pessoas, utilizadas como “laranjas” para a abertura de contas bancárias, a constituição de empresas e a movimentação de recursos.

Alguns dos integrantes da organização atuavam nas redes sociais como especialistas em gestão de vendas, e-commerce e importação. Utilizavam o comércio de cursos e mentorias, dando aparência de legalidade às operações ilícitas.

A operação

Assim, a operação cumpre 32 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisões preventivas. A 1ª Vara Federal de Guaíra foi responsável por expedir todos os mandados. Os estados envolvidos são: Paraná, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.

Além das medidas judiciais, a Receita Federal do Brasil e a Polícia Federal cumprem fiscalizações administrativas. Incluindo apreensões de mercadorias de origem ilícita em empresas no estado de Goiás.

Ao todo, 52 auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal do Brasil e 102 policiais federais participam da ação.

Compromisso Institucional

A Receita Federal reforça seu compromisso com:

  • O combate a fraudes estruturadas que utilizam CNPJs e fachada e inaptos;
  • O combate a crimes fiscais e à lavagem de capitais;
  • A atuação integrada com órgãos de investigação e controle.

 

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