Em assembleia, servidores cobram 5,4% em parcela única e 10% no auxílio-alimentação; prefeitura ofereceu 4,11% em quatro vezes.
Servidores de Foz do Iguaçu rejeitam proposta de reposição anual apresentada pela Prefeitura de Foz do Iguaçu na negociação da data-base/2026. A decisão foi tomada em Assembleia Geral realizada na noite de segunda-feira (19), convocada por entidades sindicais que representam diferentes categorias do funcionalismo municipal.
Participaram da convocação o Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi), o Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi) e o Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Estado do Paraná (Sindacs). No encontro, os trabalhadores discutiram a contraproposta do executivo e definiram a pauta que será levada para a continuidade das tratativas.
A prefeitura argumentou que enfrenta limitação orçamentária e colocou na mesa a reposição salarial de 4,11%, percentual associado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Pela proposta do município, o reajuste seria escalonado em quatro etapas: 1% em maio, 1% em julho, 1% em setembro e 1,11% em novembro de 2026. O INPC também seria aplicado ao auxílio-alimentação, mas em pagamento único.
Os servidores, no entanto, recusaram o parcelamento e aprovaram outra posição para a negociação. A assembleia deliberou pela reivindicação de reajuste de 5,4% em parcela única, com pagamento ainda em maio, índice previsto no reajuste do Piso Nacional do Magistério, com extensão a todas as categorias em 2026. Além disso, o grupo definiu como demanda o aumento de 10% no auxílio-alimentação, com efeito retroativo a abril.
Durante o debate, trabalhadores mencionaram experiências de anos anteriores com reposições escalonadas e afirmaram que não aceitam repetir modelos que consideram prejudiciais. Entre profissionais da educação, a discussão também foi marcada pelo entendimento de que existe defasagem, já que o reajuste anual do magistério está previsto na Lei Federal 11.738/2008 e deve ser pago em janeiro.
A presidente do Sinprefi, Viviane Dotto, criticou a proposta apresentada pela administração municipal. “É inaceitável apresentar uma proposta como essa para trabalhadores que estão diariamente na linha de frente, garantindo o funcionamento dos serviços públicos e atendendo a população. O que defendemos é uma reposição digna, construída com diálogo, respeito e valorização”, afirmou.
Além da pauta salarial, os sindicatos pediram que a próxima rodada de negociação ocorra com a presença do prefeito Joaquim Silva e Luna até o dia 28 de maio, data em que está prevista uma nova Assembleia Geral conjunta. Dirigentes sindicais também disseram que o município ainda não apresentou oficialmente os dados do limite prudencial referentes ao fechamento do último quadrimestre, informação apontada como necessária para avaliar a capacidade financeira da prefeitura.
Representantes das categorias sustentaram ainda que há margem para melhora na proposta, principalmente no auxílio-alimentação, por entenderem que o benefício não impacta diretamente o índice prudencial.
O tema envolve um contingente relevante da cidade. De acordo com informações do Portal da Transparência citadas pelos sindicatos, a Prefeitura de Foz do Iguaçu tem aproximadamente 7 mil servidores ativos. Considerando uma média de dois dependentes por servidor, o alcance direto das negociações pode chegar a pelo menos 21 mil pessoas, número equivalente a cerca de 7% da população estimada do município.
A maior parte desse quadro está na área educacional. A Secretaria Municipal da Educação reúne cerca de 4 mil trabalhadores, distribuídos em 50 escolas e 46 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). Com a negociação da data-base, o cenário descrito pelos sindicatos é de instabilidade em setores considerados essenciais, como Educação, Saúde e Segurança Pública. Na Educação, a categoria permanece em estado de greve desde o ano passado e ainda cobra debate sobre pontos específicos relacionados ao Piso do Magistério.
A próxima assembleia dos servidores municipais está agendada para 28 de maio. Na ocasião, as categorias devem avaliar os encaminhamentos do movimento e aguardar se haverá abertura de negociação direta com o prefeito.
Fonte: Assessoria de Imprensa de Foz do Iguaçu.
Foto: Hemily Nascimento.