Público definiu o nome em votação online com 350 participantes; filhote nasceu em 4 de abril no Refúgio Biológico Bela Vista.
A 60ª harpia (Harpia harpyja) nascida no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), em Foz do Iguaçu (PR), já foi batizada pelo público. Em uma votação realizada pela internet nas redes sociais da Itaipu Binacional, com a participação de aproximadamente 350 pessoas, o nome mais escolhido foi “Nebulosa”. As opções apresentadas eram “La Niña”, “Neblina” e “Nevasca”.
O filhote nasceu em 4 de abril e, com pouco mais de 50 dias de vida, pesa 2,5 kg. Mesmo ainda no início do desenvolvimento, a ave já passou por diferentes etapas de manejo e acompanhamento no RBV, considerado o maior centro de referência de reprodução de harpias do mundo.
De acordo com a equipe do Refúgio, o ovo permanece no ninho com os pais por aproximadamente 50 dias. Em seguida, é levado para a chocadeira por mais seis dias, até que o filhote rompa a casca. Depois, passa para a incubadora por um período de 20 a 30 dias. A Nebulosa está agora na terceira fase de cuidados, em uma sala climatizada com umidade controlada, etapa que dura em torno de 3 meses.
Após esse período, o animal é levado para um espaço maior, com poleiro para os primeiros voos e acesso à gaiola externa. Somente pouco antes de completar um ano de vida a harpia segue para o recinto da trilha dos animais, onde existem três harpias atualmente. Por volta dos 5 anos de idade, ocorre a formação de casais, que então são realocados para recintos individuais, com apenas um par por recinto.
A zootecnista do RBV, Fabiana de Orte Stamm, explica que, ao nascer, os filhotes pesam em torno de 70 gramas e exigem cuidados frequentes. “Nós abatemos roedores, cortamos em pedacinhos bem pequenininhos e vamos fornecendo para ela”, explica. O acompanhamento é contínuo e inclui registros e observações do desenvolvimento do animal.
Na alimentação da Nebulosa, um procedimento específico busca evitar o imprinting, quando o animal passa a identificar humanos como parte de sua própria espécie. “A pessoa fica atrás de uma cortina e dá a comida para a ave de maneira escondida”, descreve Fabiana.
Na fase adulta, as harpias se destacam pelo porte. Os machos chegam a uma média de 5 kg, enquanto as fêmeas podem atingir entre 7 e 8 kg. A alimentação é exclusivamente carnívora e inclui cerca de 750 gramas de proteína animal, oferecida três vezes por semana. “São rapinantes grandes, então não têm essa necessidade de se alimentar diariamente e ficam de um a dois dias em jejum”, explica a zootecnista.
Para Fabiana, ações como a escolha do nome ajudam a aproximar o público da causa. “Essas ações são importantes porque chamam o público para pensar e se preocupar com a conservação dos animais. A gente sabe que é conhecendo que as pessoas protegem”, reforça.
Espécie enfrenta risco de extinção e depende de ações de conservação
A harpia pode viver até 50 anos, mas sua ocorrência na natureza tem se tornado cada vez mais incomum. A estimativa atual indica entre 700 e 2.500 indivíduos em toda a área de ocorrência da espécie, número que continua em declínio. No Brasil, cerca de 200 animais vivem sob cuidados de humanos, em 40 instituições diferentes.
Nesse cenário, o trabalho desenvolvido no RBV ganha ainda mais relevância. Cada nascimento no Refúgio, incluindo o da Nebulosa, representa uma contribuição direta para a conservação da espécie.
Fonte: Itaipu Binacional.
Foto: Davi Macedo/Itaipu Binacional.
