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sueli

 

Obra propõe uma reflexão sobre as experiências cotidianas de mulheres negras, seus afetos, coletivos, alegrias e estratégias de existência

“Manual de Sobrevivência de uma Mulher Negra”, da escritora, atriz, poeta e arte-educadora Sueli Crespa, nasce das experiências que atravessam o cotidiano de tantas mulheres negras. Mais do que apresentar fórmulas ou regras sobre como sobreviver, o livro propõe uma reflexão sobre os caminhos construídos diariamente para existir, resistir, sonhar e, sobretudo, viver.

A obra será lançada no domingo, 6 de setembro, às 15 horas, durante a programação da 21a edição da Feira Internacional do Livro de Foz de Foz do Iguaçu, no palco principal montado na Praça da Paz.

O título parte da ideia de um “manual”, mas não no sentido tradicional. “Não há aqui uma lista de instruções para enfrentar as dores impostas pelo racismo, pelo machismo e pelas desigualdades. O livro se constrói a partir das vivências, das memórias e das pequenas e grandes estratégias que mulheres pretas desenvolvem todos os dias para seguir em frente, reconhecer sua força e construir espaços de pertencimento”, explica.

Para Sueli, a sobrevivência, nesse contexto, não está relacionada apenas à tristeza ou à dor. “Ela também se manifesta na alegria, no encontro, na amizade, na escrita, na arte, no amor e nos espaços coletivos que fortalecem e acolhem”. São os grupos, os movimentos, os coletivos de mulheres e as redes de afeto que aparecem como importantes territórios de resistência e construção de possibilidades.

No Manual de Sobrevivência de uma Mulher Negra, a escritora também fala sobre aquilo que se busca no cotidiano: o direito ao descanso, à felicidade, à criação, ao prazer de estar junto e à possibilidade de imaginar outros futuros. “Porque sobreviver é necessário, mas não pode ser o único horizonte. Trata-se também de viver plenamente, reconhecer as próprias alegrias, celebrar conquistas e construir caminhos coletivos são também formas de resistência”.

Ao reunir reflexões sobre as experiências de ser mulher preta, Sueli Crespa convida o público a olhar para além das narrativas que reduzem a existência negra exclusivamente ao sofrimento. Sem negar as violências e os desafios que fazem parte dessa realidade, a autora evidencia também a potência que existe nas relações, na ancestralidade, na criação artística, na palavra e na capacidade de construir coletivamente. Sueli integra os coletivos de Mulheres Instituto Americanas, e do Coletivo Pretas com Poesia.

A obra dialoga com mulheres negras que, todos os dias, encontram diferentes maneiras de se fortalecer e seguir caminhando. “É um livro sobre resistência, mas também sobre alegria. Sobre enfrentamento, mas também sobre afeto. Sobre sobrevivência, mas, acima de tudo, sobre o direito de viver”.

Sobre a autora

Sueli Crespa é poeta, escritora, atriz, roteirista, arte-educadora e mediadora cultural. Graduada em Mediação Cultural – Letras e Artes pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), desenvolve sua trajetória artística e educativa a partir da literatura, da poesia, do teatro e das experiências coletivas. Sua produção dialoga com a memória, a negritude, as mulheres, a ancestralidade, os afetos e as diversas formas de resistência e existência.

Como escritora, publicou as obras Negressência (2023), participou das coletâneas Vozes Mulheres da Améfrica Ladina (2021), pela Dandara Editora/UNILA, Narrativas sobre a Feminilidade (2021), pela Editora CRV/UFPR, Pretas com Poesia (2024) e A Mulher de Mil Nomes (2024), pela Donizela Editora. Em 2025, teve poemas traduzidos para o espanhol e publicados na Revista LP5, do Chile. Também possui trabalhos publicados na Revista TOM (UFPR).

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