A grande aventura de Marcos Sá Corrêa no Parque Nacional do Iguaçu

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 Marcos Sá Correa já havia visitado as Cataratas do Iguaçu algumas vezes na condição de turista. Porém, ainda não tinha conhecido o Parque Nacional do Iguaçu, em toda sua expressão.

No ano de 2008, Marcos recebeu um convite inesperado, contribuir com o Projeto Memória das Cataratas que a administração do Parque, juntamente com outras Instituições parceiras tinham idealizado, visando as comemorações do aniversário de 70 anos da Unidade de Conservação, a ser celebrado em janeiro de 2009. Na companhia do historiador Lorenzo Aldé, Marcos iniciou freneticamente sua caminhada literária no Iguaçu.

Buscou detalhes da formação social dos municípios vizinhos e do próprio Parque; numa região colonizada quase que totalmente por descendentes de europeus, conversou com famílias de pioneiros, entrevistou pesquisadores, funcionários e antigos administradores, enfim colecionou muitos “causos” para a elaboração do futuro livro, uma contribuição valiosíssima para o Projeto.

 “Meu vizinho o Parque Nacional do Iguaçu”, de autoria de Marcos Sá Correa e Lorenzo Aldé ficou magnificamente pronto e foi lançado exatamente no dia 10 de janeiro de 2009, quando o Parque completava seus 70 anos de existência.

Juntamente, uma bela exposição de fotografias antigas foi organizada com imagens doadas pelos pioneiros da cidade de Foz do Iguaçu que participaram ativamente do Projeto.

 A participação de Marcos foi intensa. Não se limitou “apenas” na confecção do importante livro, que aliás, foi uma contribuição sem precedentes para a história desta Unidade de Conservação. 

Pelo contrário, suas idéias e contribuições foram absorvidas totalmente pela pequena equipe responsável pelo Projeto.

Através de sua rica experiência como fotógrafo, jornalista e acima de tudo, um ferrenho ambientalista, Marcos contribuiu sobremaneira para a realização e sucesso do Projeto Memória das Cataratas, o qual perdura até os dias atuais.

Uma expressão antiga afirma que quem bebe da água do rio Iguaçu, nunca mais sai da região, ou se sair, sempre retorna. Foi o que aconteceu.

Logo após a realização do aniversário do Parque, Marcos continuou surpreendendo com seu estilo prático e direto. Apresentou à administração do Parque uma carta através de um e-mail pessoal com suas novas e inusitadas intenções. 

Movido por um novo desafio profissional, gostaria de se dedicar, exclusivamente, a produzir suas próprias fotografias, textos e notas sobre a rica biodiversidade desta importante Unidade de Conservação.

Com paixão pela fotografia de natureza e com profundo conhecimento sobre a história da conservação dos Parques Nacionais, Marcos iniciava neste momento, uma de suas mais ricas experiências, um novo olhar e uma nova caminhada, literalmente pelos 185 mil hectares de Mata Atlântica mais preservados do Sul do Brasil, entre jerivás, palmitos, árvores frondosas, insetos e animais selvagens.

Sem perder tempo, embrenhou-se solitário na selva paranaense, com sensíveis equipamentos fotográficos, um celular que quase nunca funcionava na floresta, sem internet, com uma simples caderneta e duas barras de cereais na mochila.

Assim passava o dia inteiro. Nem chapéu usava, não gostava. Até que dois “bernes”, teimosamente, se instalaram e usaram seu couro cabeludo como moradia provisória.

Atendido por um dermatologista amigo da cidade, pois “aquela coisa” não parava de coçar, Marcos foi aconselhado a utilizar um chapéu nas suas aventuras no interior da floresta. Conselho prontamente aceito.

Seus textos e fotografias produzidos sobre o Iguaçu eram repassados para seu blog pessoal e a seus amigos especiais para serem utilizados em edições jornalísticas.

Utilizava a internet de um hotel situado na rodovia das Cataratas, aproximadamente a dez quilômetros do Parque, pois era mais eficiente e o café do local, saboroso. 

Um funcionário do hotel que quase sempre o atendia, já trazia o cafézinho quente, sem açúcar com a clássica pergunta: veio usar a internet “seu” Marcos?

Entre borboletas, aves, fungos, animais selvagens e uma floresta inteiramente preservada a ser cotidianamente “explorada” de forma racional, além é claro de muita água distribuída entre centenas de quedas, Marcos registrou em um ano de trabalho mais de cinco mil fotografias, “boas”, como ele dizia.

Além de muitas entrevistas efetivadas e uma convivência saudável com a equipe do Parque Nacional, Marcos participou ativamente de quase tudo o que aconteceu no local, naquele ano.

Não havia um funcionário, seja do Parque ou de suas concessionárias prestadoras de serviços que Marcos não cumprimentasse e logo se iniciava uma prosa. 

Era ávido por conhecer pessoas “da lida no Parque”. Estava sempre atento ao que ocorria ao seu redor, profundo observador dos processos que ocorriam na floresta, principalmente nas mudanças das estações do ano. 

Era mais que um fotógrafo de natureza. Neste período, ficou hospedado num pequeno apartamento, com quarto e banheiro, na casa do Chefe do Parque. Nunca reclamou de suas instalações. Sua esposa Angela, sempre que podia vinha do Rio de Janeiro passar o final de semana com o marido na floresta do Iguaçu. Costumava ajudá-lo na pesada tarefa de levar os equipamentos fotográficos. Acompanhava tudo com muita paciência e atenção. Segundo Angela: o melhor ano de suas vidas. 

No momento que é colocado ao público parte de seu rico acervo fotográfico, na Mostra “Caminhos e Pegadas” no Ecomuseu da Itaipu, fica a sensação e a certeza emocionada, que valeu muito a pena ter um hóspede tão sábio, companheiro e porque não dizer corajoso no Iguaçu, por tudo que produziu eficientemente.

Não tem preço o que foi produzido por Marcos neste período e que agora se torna realidade nesta exposição.

Marcos, o Iguaçu te agradece e te reverencia.

Muito Obrigado!

Jorge Luiz Pegoraro é Biólogo e Analista Ambiental do ICMBio. Foi Chefe do Parque Nacional do Iguaçu de 2003 a 2015.

 

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