Programação especial destaca avanços na conservação da fauna e aproxima público da biodiversidade no local
A quarta-feira (22), Dia Internacional da Mãe Terra, foi uma data especial no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), mantido pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu (PR). O espaço contou com a celebração do aniversário de um ano das harpias Terremoto e Tempestade, além da surpresa do nascimento de um filhote de anta.
Para comemorar o aniversário das aves, a equipe do Refúgio promoveu uma atividade de enriquecimento ambiental no recinto. “Essa ação estimula o comportamento natural da espécie por meio de desafios durante a alimentação. Nós usamos itens como frutas com carne para despertar curiosidade e incentivar a busca pelo alimento nos animais”, explica Marcos José de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas e biólogo da Itaipu.

Segundo ele, a prática contribui diretamente para o bem-estar e para o sucesso reprodutivo das harpias. “É uma atividade bem importante porque estimula condutas naturais que eles não têm no dia a dia. Isso melhora a saúde, a longevidade e, também, questões reprodutivas”, afirma.
Além da atividade com as aves, o público pôde acompanhar uma exposição com imagens que mostram o desenvolvimento de Terremoto e Tempestade desde o nascimento, além de ter contato com penas utilizadas em ações educativas. “A gente quis aproximar as pessoas. Muitas têm curiosidade de tocar nas penas, então trouxemos esse material para permitir esse contato de forma segura”, diz Marcos.

O Refúgio acumula mais de duas décadas de experiência no manejo da espécie e é o maior centro de reprodução de harpias do mundo, superando a marca de 60 nascimentos e já tendo enviado aves para diversos países. “Nosso índice de sobrevivência é acima de 70% após um ano de vida. É por isso que esse aniversário é tão importante, porque marca a entrada desses animais na lista de sucesso do programa”, destaca o biólogo, que também é o responsável pelo programa de reprodução das harpias no RBV.
Atualmente, o espaço abriga 31 indivíduos, incluindo uma fêmea nascida há 20 dias que ainda não tem nome e segue sob cuidados da equipe do hospital veterinário.
A harpia é a maior águia do mundo e depende diretamente de florestas preservadas para sobreviver. “É uma espécie muito sensível a intervenções humanas. Ela precisa da floresta em pé para fazer o ninho e de outros animais para se alimentar. Quando há desmatamento, ela acaba desaparecendo”, ressalta Marcos.
O Refúgio também avança em estudos para a futura reintrodução da espécie na natureza. “Estamos caminhando para uma soltura monitorada. Já temos áreas indicadas no Paraná e acredito que nos próximos dois anos a gente consiga avançar para essa etapa”, projeta.
Experiência especial
Para os visitantes, a experiência vai além da observação dos animais. A psicóloga Emanuele Pereira Luna Borges, de Caruaru (PE), afirma que a atividade trouxe novos aprendizados. “Achei muito interessante e enriquecedor. A gente aprende coisas que não sabia e passa a valorizar ainda mais esses animais”, diz.
Ela também destaca a importância do trabalho desenvolvido pela Itaipu com as harpias. “É incrível ver um programa desse porte. Ajuda na manutenção da biodiversidade e no cuidado com as espécies selvagens locais. Eu levo muitas memórias afetivas e muito conhecimento. É uma experiência que marca”, afirma.
A estagiária de biologia no RBV Mariana Boaventura Romero enfatiza o valor da iniciativa. “Está sendo uma oportunidade de ouro acompanhar o desenvolvimento das harpias desde o nascimento. É algo que vai marcar minha vida profissional”, relata. Segundo ela, a reação do público reforça o papel da educação ambiental. “A gente vê o encantamento das pessoas. Era exatamente isso que a gente queria, despertar interesse e contribuir para a proteção da espécie”, diz.
Fotos: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional.
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