Moradores relatam isolamento de bairros e falta de travessias seguras na Perimetral Leste e na Avenida das Cataratas.
Quem vive ou trabalha no entorno da Perimetral Leste relata impactos diretos pela ausência de acessos intermediários aos bairros da região. Situação semelhante é enfrentada por moradores e trabalhadores próximos à Avenida das Cataratas, onde a falta de passarelas torna arriscada a travessia diária da via. As demandas foram discutidas em audiência pública realizada na noite desta terça-feira, 26 de maio, na Câmara de Foz do Iguaçu.
O debate foi aberto pelo presidente do Legislativo, vereador Paulo Debrito (PL), e conduzido pelo proponente, vereador Soldado Fruet (PL). A audiência foi proposta por Soldado Fruet (PL) por meio do Requerimento n° 261/2026 e reuniu autoridades e representantes de bairros do entorno, apontados como os mais afetados pelas obras. Participaram também os vereadores: Anice Gazzaoui (PP), Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos), Marcia Bachixte (MDB), Adnan El Sayed (PSD), Cabo Cassol (PL), Sidnei Prestes (Podemos), Bosco Foz (PL).
Durante as manifestações, Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos) pontuou: “Fica a dúvida a quem devemos recorrer para resolver esses problemas”. O parlamentar Bosco Foz (PL) acrescentou: “Gostaria que os encaminhamentos ficassem bem claros: quem pode resolver os problemas e quando”. O parlamentar Adnan El Sayed (PSD) afirmou: “Esse assunto da perimetral foi muito debatido, e alertou-se que ela traria os mesmos problemas que a BR-277 traz para o Jardim Jupira. O triste é que tudo isso não foi reavaliado nem reajustado no projeto”. A vereadora Professora Marcia Bachixte (MDB) também pontuou: “Sabemos das necessidades, mas infelizmente não foi ouvido tudo o que foi colocado aqui. Precisamos saber como isso será resolvido; os bairros não podem ficar isolados. Os funcionários que trabalham em hotéis e atravessam a Avenida das Cataratas diariamente, como fica isso?” O vereador Sidnei Prestes comentou: “Estamos diante de um problema: fizeram o projeto olhando o mapa, mas esqueceram as famílias, as comunidades”.
O presidente da Casa, vereador Paulo Debrito (PL), questionou uma travessia entre Jardim Cataratas e Avenida Morenitas, que foi objeto de visita realizada em março deste ano em conjunto com o Dnit ao local. E comentou: “Se preciso for, os vereadores irão a Brasília dialogar e buscar recursos, não podemos esperar mais.
No relato de participantes da comunidade, Diogo Marcel comentou: “O que fica para a gente é que temos de estar presentes na discussão desse tipo de projeto à época. Nós estávamos presentes à época, discutimos e apontamos as necessidades no projeto. Quando falamos nas áreas de soterramento que houve, digo que se traga o IAT para discussão, porque a questão ambiental também é grande”. Alessandra Soares questionou: “Qual foi o erro, se foi dito aqui que desde 2018 sabiam do projeto? Nós temos representantes, o que houve? Não podemos esperar 7 anos para se fazer uma passarela em Três Lagoas ou outros lugares. Precisamos de ações para agora.” Luiz Bazanella comentou: “Peço que não olhem só para os caminhões, mas também para a população”.
Ao justificar a audiência, o proponente, vereador Soldado Fruet (PL), afirmou: “A falta de passarelas implica em situações de risco diariamente. A audiência foi proposta para abrir espaço ao diálogo e construir soluções juntos. Esperamos sair daqui com respostas para garantir mais segurança e qualidade de vida para a população”.
Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes
Marcos Paulo Soares Costa, chefe de serviço da Superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (DNIT) em Foz, foi um dos expositores e detalhou pontos da logística da obra. “Desde 2018, como município, temos conhecimento da implantação dessa obra de forma formalizada. Temos desafios de mobilidade nos dois sentidos, porque há trânsito de importação e exportação. A gente precisava desafogar a área central. A rodovia Perimetral Leste é um braço da BR-277. A gente tem um tráfego que tende a crescer e se desenvolver. Hoje a Perimetral Leste ainda está sob administração do DNIT, ainda que esteja prevista sua transferência para a concessionária”.
Questionado pelo proponente sobre o fechamento de acessos, o representante do DNIT explicou que “foi fechado por segurança para evitar que fossem feitos contornos e giros. Em um ponto mais próximo à República Argentina, a empresa que fez a obra se propôs a solucionar com uma medida apontada pelo DNIT, e estamos cobrando que seja o mais breve possível”.
Departamento Estadual de Estradas e Rodagens
Charles Urbano Hostins Júnior, engenheiro do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), ressaltou que há propostas voltadas à segurança, mas apontou limitações no estágio atual do contrato. “Existem sugestões que vêm para melhorar a segurança, mas esse contrato já está no final, porque a Itaipu é financiadora e ela já fez todos os repasses. Então qualquer ônus que venha a ter, precisa ser assumido pelo Governo do Estado. Não existiam condições de mobilidade com o trânsito passando dentro de Foz. Essas obras deveriam estar atrasadas há mais de 20 anos, agora elas precisam ser ajustadas, principalmente nas questões do trato fino com quem mora nas redondezas e é afetado todos os dias pela obra. A gente olha com olhar rodoviário e não urbano, a gente precisa da ajuda da população, do município, da secretaria de obras, de planejamento. Quando a gente dificulta o acesso, é porque nem todos podem ter acesso a uma rodovia, já que ela não é uma via local. A gente compõe isso atribuindo novas demandas. As marginais servem para dar acesso ao trânsito local. Quanto menos acesso tiver, melhor”.
Foztrans
O Diretor Superintendente do Foztrans, Maxwell Lucena, avaliou que os projetos deixaram de considerar a população impactada. “Faltou observar as pessoas nos projetos das obras estruturantes. Em nenhum momento pensaram nas pessoas que seriam atingidas por essas obras. Em 24 de maio de 2024 houve uma audiência pública aqui na Câmara em que discutiram os problemas que as obras trariam, falaram sobre o Jardim Floratta, do bairro Mata Verde. Mas ninguém pensou no pós-obra; só se pensava nos problemas que estavam acontecendo naquele momento. Creio que o momento agora é de repensar”.
Manifestação popular
Como expositor, Rafael Cabanha, presidente do Bairro Buenos Aires, disse que houve melhorias, mas que o cotidiano do entorno segue pressionado pelas mudanças. “Tivemos avanços, nossos imóveis valorizaram, mas também não podemos negar que a população sofre com as obras. A falta de acesso prejudica muito nosso deslocamento. A questão das passarelas: a gente não entende o motivo pelo qual não estava no projeto. Quando o morador precisa atravessar, isso se torna uma situação de risco”.
Adessandra Soares, moradora do bairro Jardim Alvorada, relatou dificuldades para acessar serviços essenciais e preocupações com segurança viária. “Nosso posto de saúde, que atende os bairros Atlantis e Alvorada, fica em Três Lagoas; então é um transtorno grande por conta da falta de acesso. Eu, como mãe, levo meus filhos ao Morumbi porque não me sinto segura em passar pela BR. Não tem iluminação, faltam placas, a velocidade é grande”. Luiz Fernando Bazanela, também morador do bairro Alvorada, pediu para que “reabrissem a rua Leopoldo Calegario ou a rua Urano, que tem acesso à Perimetral Leste, para ajudar o fluxo de caminhões”.
Eloir Reis, representando o bairro Remanso Grande, descreveu a situação do local e pediu atenção do poder público. “Lá são 300 famílias, e eu sou o único representante do bairro porque ainda acredito no poder público. Peço que olhem pela gente; estamos isolados e precisamos de vocês pra nos ajudar”.
Patrícia Zandonade, professora de Arquitetura e Urbanismo da Unila, criticou o modelo de implantação das vias no perímetro urbano e relacionou o tema à revisão do plano de mobilidade. “Um projeto desse da Avenida das Cataratas e Perimetral deveria ser refeito na minha disciplina. Ainda estamos promovendo rodovias de alta velocidade em perímetro urbano. As duas vias foram feitas e projetadas dentro de área urbana, e elas não podem ter o mesmo funcionamento de uma rodovia fora do perímetro. A gente exige nosso direito de ir e vir, de viver, de ter transporte público. Como um projeto desses pode ser feito sem pensar em pontos de ônibus? Estamos com a revisão do plano de mobilidade, que precisa ser feita e reconsiderada. As passarelas não funcionam; elas servem para deixar o carro passar e não favorecer o pedestre”.
Fonte: Beatriz Bidarra/CMFI.
Foto: Christian Rizzi/CMFI.
